O Movimento Sem Terra é um dos mais importantes movimentos sociais do Brasil. Surgiu na década de 1980, em reação às políticas agrícolas adotadas pelos governos do regime militar. O movimento defendia que a estratégia seguida por diversos governos obrigava os colonos a deslocarem-se para regiões inóspitas, sem apoios e “condenados” ao cultivo de terrenos de baixa produtividade agrícola. Em alternativa, o movimento pretendia a redistribuição de terras com maiores índices de produtividade, mas deixadas improdutivas por razões ligadas à concentração de propriedade.

De inspiração marxista, o movimento foi um dos catalisadores para a progressiva transição democrática operada no Brasil nos anos 80. Sua visibilidade pública continuou até aos dias de hoje.

Relacionamento com os governos PT

A subida ao poder de um presidente de esquerda (Lula da Silva, em 2002) podia deixar prever um melhor relacionamento entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (seu nome completo) e o Palácio do Planalto. Porém, nem sempre se verificou coincidência de interesses. Ainda antes de ser eleito, Lula da Silva se mostrou contra a ocupação de uma fazenda do presidente Fernando Henrique Cardoso por militantes do MST.

Depois de tomar posse como presidente, Lula retomou o tema por mais que uma vez em seu primeiro mandato. Em sua perspectiva, a radicalização do MST era desnecessária; a aspiração do movimento era justo, mas os meios de tomada coerciva de terreno não estavam certos. O presidente voltou a condenar o abate de laranjeiras levado a cabo por militantes do movimento contra a propriedade da empresa Cutrale, em São Paulo, em 2009.

O Movimento Sem Terra na atualidade

De acordo com a Revista Fórum, um ativista do Movimento Sem Terra, Sebastião Carvalho, foi assassinado em Quatis/RJ, no passado dia 10 de novembro de 2019. Já no Rio Grande do Sul, em outubro de 2019, 200 elementos do movimento ocuparam as instalações desativadas da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), em Taquari.